• novembro 7th, 2013
  • Publicado por Redação Concurseiro10

Concurso Polícia Civil RJ: entrevista com Diretora da Acadepol

Jéssica Almeida

Segurança Pública: o termo nunca esteve tão em evidência no Brasil. Seja em noticiários ou conversas informais, o fato é que a percepção de estar protegido de riscos rodeia, a todo o instante, pessoas comuns, que de certa forma são direta – ou indiretamente – atingidas pela ‘falta’ desse conceito no dia a dia. A responsabilidade, no entanto, é dividida entre três esferas governamentais, mas manter o controle é uma tarefa árdua. E a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, apesar das suas limitações, procura cumprir com veemência seu papel. Investir na formação de novos policiais, por exemplo, tem sido uma tarefa adotada com maior regularidade.

A diretora da Academia de Polícia (Acadepol), delegada Jéssica Almeida, destaca que a política de realização de concursos é fundamental para garantir bons resultados para a corporação e, consequentemente, para a população fluminense. Prova disso é o concurso para oficial de cartório, cujas inscrições estão abertas para 750 vagas. De acordo com a delegada, é possível que esses novos servidores iniciem o curso de formação em junho de 2014.

O concurso de perito criminal também é um dos destaques da polícia: “A nossa previsão é que o concurso de perito se encerre no dia 5 de fevereiro, e a nossa estimativa é que os candidatos ingressem na Academia de Polícia logo após o carnaval, que é no início de março”, ressaltou a delegada.  No próximo mês haverá o reforço de 1.336 novos policiais, entre inspetores e delegados: “O desejo da chefe de polícia, delegada Martha Rocha, como ela disse em cada sala do curso de formação, é que os novos policiais já estejam trabalhando no Natal e no Ano Novo. Então, a ideia é que em 19 de dezembro esse grupo já comece a trabalhar.” 
FOLHA DIRIGIDA – Conte um pouco da sua trajetória na Polícia Civil e, principalmente, sobre o desafio de estar à frente da Academia de Polícia.
Jéssica Almeida – Estou na Polícia Civil há 15 anos, ingressei por concurso, em 1997. Estive em delegacia de polícia durante dois anos, depois recebi um convite e fui para Secretaria de Segurança. Lá eu ocupei um cargo em comissão durante 11 anos e exerci algumas funções, como assessora jurídica, assessora de gabinete e, ao final, eu era subsecretária de Estado na área de educação. Quando estava na secretaria recebi a missão de coordenar no Rio de Janeiro o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania, o Pronasci. Dentro das ações do Pronasci nós tínhamos três eixos: educação, saúde e valorização do trabalhador com segurança. E naquela oportunidade havia alguns cursos de especialização para os policiais, então já estava trabalhando com a área de ensino. Quando então a chefe da Polícia Civil, Martha Rocha, foi convidada para assumir a chefia da corporação, imediatamente me convidou para estar à frente da Academia, com a missão de colocar todos os concursos públicos da Polícia Civil em dia. Eu aceitei o desafio.

Recentemente, foi divulgado o edital de oficial de cartório, e em breve será liberado outro, de papiloscopista. O que representa para a corporação a abertura dessas seleções?
Nós passamos por um processo de reestruturação em 1999, com o programa de Delegacia Legal. A Polícia Civil tem tecnologia, hoje é a Polícia Civil mais moderna do Brasil, tem um processo de trabalho muito dinâmico, tem protocolos de atuação, mas o que nos falta é efetivo. A gente tem uma carência muito grande de recursos humanos e o percentual é de 32% de policiais que já estão com idade para se aposentar. E a saúde da polícia depende da reestruturação do seu quadro de pessoal. Então, o ingresso de policiais é muito importante para manter a Polícia Civil forte, reoxigenar os quadros da corporação, trazer novos saberes, novas gerações e novas ideias.

A senhora havia dito que o edital de papiloscopista sairia logo após a publicação do de oficial de cartório, que foi divulgado em 14 de outubro. Por que isso não aconteceu?
Não aconteceu porque nós estamos vivendo um momento de encerramento do curso de formação profissional para quase 1.340 pessoas, que se formam dia 10 de dezembro. A prova de oficial de cartório vai ser realizada em 8 de dezembro. Então, decidimos segurar um pouco o edital de papiloscopista, até para permitir que as pessoas que prestarem concurso para oficial também prestem para papiloscopista. O edital sairá no início de dezembro, para que nosso calendário não se atropele e consigamos manter a excelência que a gente vem tendo no trabalho de prestação e entrega desses concursos.

Quando esses novos policiais vão iniciar suas atividades?
Os 1.336 novos policiais vão se formar no dia 10 de dezembro, em uma solenidade realizada no Maracanãzinho, com a presença do governador e das autoridades de segurança. Mas a questão de nomeação é com o governo do estado, e a posse, com a administração superior da Polícia Civil. O desejo da chefe de polícia, como ela disse em cada sala do curso de formação, é que os novos policiais já estejam trabalhando Natal e no Ano Novo. Então, a ideia é que em 19 de dezembro esse grupo já comece a trabalhar.

As 750 vagas de oficial de cartório e as 100 de papiloscopista vão suprir as necessidades atuais da corporação?
O concurso foi autorizado em 2007, e o número de vagas foi dimensionado naquela oportunidade. Nós consideramos que esse número hoje é insuficiente. Então, há algumas possibilidades. Uma delas é trabalharmos junto ao governo do estado, após a aplicação da primeira fase do concurso, o aumento de vagas, como aconteceu com o concurso de inspetor, que começou com 600 vagas e passou para 1.200. Há uma disposição do governador nesse sentido, que tem sido parceiro em todas as demandas da Polícia Civil. E a outra possibilidade é, em caso de não autorização governamental para aumentar as vagas, realizar outro concurso.

Em relação a oficial de cartório, quando deverá ter início o curso de formação? Quando os novos servidores deverão iniciar efetivamente as suas atividades?
Considerando a previsão que nós costumamos fazer, de uma média de seis meses de duração dos concursos, os oficiais de cartório, prestando as provas em dezembro, estariam entrando no curso em junho, logo após os jogos da Copa do Mundo. É um concurso grande, não temos como realizá-lo em um prazo menor, porque é composto por diversas etapas. A prova física, por exemplo, será realizada para três vezes o número de vagas, então serão 2.250 pessoas. Esse teste nós costumamos realizar em dois ou três dias, para concurso com 100 vagas, mas, neste caso, teremos que fazer em pelo menos duas semanas. Ainda tem exames psicotécnicos, exames médicos, então a previsão é que eles estejam na Academia de Polícia em junho de 2014.

Os vencimentos iniciais do oficial de cartório são de R$2.871. Para muitos candidatos, esse valor é baixo, tendo em vista que a carreira exige nível superior. Existe alguma gratificação que amplie essa remuneração? A quais benefícios os policiais têm direito?
Além do salário, há a gratificação de atividade em Delegacia Legal, hoje de R$850, e um auxílio-alimentação. Mas existe um esforço para melhorar a política salarial da corporação. Os agentes da Polícia Civil – no sentindo amplo, incluindo inspetor, oficial, papiloscopista, investigador, técnico e auxiliar de necrópsia, peritos criminal e legista – estão em processo de negociação com o governo para uma melhoria salarial. Eles têm recebido aumento de salário progressivo nos últimos três anos. Há um esforço da Polícia Civil e do governo para melhorar os salários dos agentes de polícia.

Quanto ao programa para o concurso de papiloscopista, os candidatos podem se guiar pelo edital anterior? 
O edital já está pronto, aguardando o cumprimento do calendário das atividades da Acadepol para ser publicado. Devemos soltar o edital no início de dezembro, e abriremos as inscrições nessa oportunidade, para não corrermos o risco das etapas de oficial de cartório não se confundirem com as de papiloscopista. Quanto ao programa, podem sim, o edital anterior é um guia. Mas, além disso, o recomendado é que na parte de Noções de Direito os candidatos tenham contato com o edital de oficial de cartório que está na rua, porque foi todo revisto pelas bancas examinadoras, a organizadora do concurso é a mesma, então as partes de Português e Direito, por exemplo, que foram revistas, estão mais atualizadas. E algumas especificidades podem ser encontradas no último edital. Naturalmente, os conteúdos serão atualizados, mas o último concurso e o de oficial podem ser bons guias para a orientação do estudo desses candidatos.

Em relação aos testes físicos, candidatos questionam o fato de o índice de aprovação ser o mesmo para todas as idades, o que, segundo eles, não ocorre em outras corporações. Por que a Polícia Civil do Rio de Janeiro adota esse procedimento?
Porque o concurso público deve ser realizado garantindo a isonomia entre todos os candidatos. Então, não há diferença nos testes, nem poderia haver, em razão de idade. Nós, cumprindo o mandamento constitucional, não discriminamos qualquer pessoa por sexo, raça ou idade. Fomos o primeiro concurso do Executivo estadual que garantiu todas as cotas, para negros, índios e deficientes físicos, nós não discriminamos por idade, não há limite de idade para se inscrever nos concursos da Polícia Civil, mas o candidato deve ter aptidão para exercer plenamente as atribuições inerentes àquele cargo. O que nós fizemos foi repensar os testes físicos de acordo com as atribuições de cada cargo. O teste físico atual para o grupo técnico científico, que inclui papiloscopista, exige menos do que o do grupo de prevenção e investigação criminais. Então, a exigência na corrida, no número de flexões e abdominais, será menor no teste para papilocopista do que no de oficial de cartório.

A senhora poderia detalhar um pouco como funciona o curso de formação dos policiais?
O curso de formação tem duração de 840 horas e é composto por três grandes módulos. Um módulo básico, onde nós trazemos esse cidadão para o universo do Estado e do serviço público. Em um segundo momento, temos o módulo instrumental, onde trabalhamos redação policial, rádio e comunicação, que são as nossas ferramentas de trabalho. Temos o módulo operacional, onde vamos trabalhar a parte policial, no sentido tático-operacional, estudando defesa pessoal policial, táticas operacionais, tiro tático. E o módulo  profissionalizante, onde o aluno terá contato com o nosso sistema de controle operacional. Ainda há uma carga de 200 horas de estágio supervisionado, nas delegacias de polícia.

Há um cronograma para perito?
É um cronograma interno, nós não o veiculamos, porque depende de outros fatores. Nesse caso, por exemplo, dependemos muito de locação de espaço para a prova física, e estamos no fim do ano e é mais difícil achar um local adequado. É tudo muito variável. Nós divulgamos editais convocando para as próximas etapas com as datas. Mas a nossa previsão é que o concurso de perito se encerre no dia 5 de fevereiro, e a nossa estimativa é que os candidatos ingressem na Academia de Polícia logo após o carnaval, que é no início de março.

Que mensagem a senhora pode deixar para aqueles que sonham em ingressar na corporação?
A Polícia Civil espera candidatos vocacionados, que gostem de pessoas, que estejam dispostos a se doar, porque atividade policial é doação, que estejam dispostos a servir, porque somos acima de tudo servidores públicos, que não estejam buscando reconhecimento, porque a atividade policial é naturalmente antipática, então querer que todo mundo goste e fale bem da polícia é uma grande ilusão. É uma profissão que não tem rotina, extremamente gratificante e apaixonante.

Fonte: Folha Dirigida 06/11/13

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