• novembro 12th, 2013
  • Publicado por Redação Concurseiro10

Turbine seu cérebro para passar em Concursos Públicos

Cérebro

A preparação para um concurso público é dura. Os candidatos passam horas, dias, meses, e até anos, em busca do tão sonhado cargo público. O caminho envolve tempo, dinheiro, abdicar do convívio a família, amigos, saídas noturnas, diversão. Para chegar ao objetivo é necessário persistir, manter-se forte diante de tantas barreiras que surgem, cuidar da parte emocional. Por ano, mais de 12 milhões de pessoas participam de concursos públicos no país. A forte concorrência afeta o emocional de muitos candidatos, fazendo com que percam o foco, diz a professora, neurocientista especializada em memória e aprendizagem e autora do livro ‘Turbine seu Cérebro para Passar em Concursos’, Nanci Cavaco.

“A quantidade de candidatos faz com que muitas pessoas se sintam ameaçadas, o que afeta diretamente a questão emocional. Elas ficam inseguras. O candidato deve focar apenas nele, para não atrapalhar o desempenho.” Para a professora, durante a preparação é importante que os candidatos potencializem o máximo sua capacidade de aprendizado. “A melhor forma de turbinar o cérebro é colocá-lo em atividade. Quebre a rotina, faça coisas diferentes, uma boa alimentação também é importante. Além de exercícios respiratórios. Fazendo isso, o candidato terá mais chances de desenvolver o seu melhor”, diz.

FOLHA DIRIGIDA – Muitas pessoas que fazem concursos, embora estudem bastante durante o período de preparação, acabam não tendo sucesso. Em virtude disso, parte delas acaba desistindo do sonho de ingressar no serviço público. Na sua visão, uma grande parcela dessas pessoas possui algum descontrole emocional?
Nanci Cavaco – Vários fatores podem prejudicar a pessoa naquilo que ela quer concluir. Quando falamos sobre concurso público, muitas das vezes a quantidade de candidatos faz com que a pessoa se sinta ameaçada, e isso irá afetar diretamente a questão emocional. Ela passa a se sentir insegura. Aliado a isso, há o fato de muitos candidatos não contarem com uma estratégia, sem tempo hábil para preparação. Muitos candidatos decidem que querem ingressar no serviço público, se inscrevem para uma seleção no impulso, agem por impulso e atiram para todos lado. Esse agir por impulso é muito prejudicial, afinal de contas o candidato não foca em lugar nenhum, e terá dificuldade no desempenho. No final, o candidato não consegue se classificar porque não teve uma boa estratégia, um bom preparo, estava muito ansioso, são fatores altamente prejudiciais. Quando chega o resultado negativo, o emocional vai lá para baixo, a pessoa acredita que não é competente o suficiente para passar e se classificar em um concurso. Muitas pessoas têm dificuldades de lidar com a frustração, uma vez que não conseguem passar. Em vez de avaliar sua estratégia, elas definem passar em concurso como algo impossível, desistem de tentar, o que realmente torna impossível a aprovação.

A senhora disse que o grande número de concorrentes afeta o emocional de alguns candidatos. Como não se deixar afetar?
O candidato deve entender que o problema é entre ele e a prova, não são os outros candidatos que irão eliminar as chances dele, e sim ele próprio. Afinal, o candidato recebe a prova em branco, é ele quem preenche as respostas. Se o concurseiro não estiver bem preparado, o resultado não terá nada a ver com os outros candidatos, somente com ele. A pessoa deve entender que não importa a quantidade de candidatos, o que ele precisa é de uma vaga, e somente ele poderá ir em busca dela. Os outros candidatos não significam nada na busca pelo resultado.

É uma briga solitária.
Sim. Eu costumo dizer que é dormindo com o inimigo, afinal de contas a questão é entre a pessoa e ela própria. O outro irá servir apenas como referência. Tem alguns fatores da própria pessoa que serão um complicador para o desempenho dela na hora do estudo. A disciplina é um desses fatores, muitas pessoas são indisciplinadas na hora do estudo, tem a questão da ansiedade, que compromete o desempenho, a privação do sono, que afeta a capacidade da memória, não só na memorização como no resgate dessa informação.

A senhora comentou sobre dormir com o inimigo, portanto, é fundamental ter um autoconhecimento grande.
É, um autoconhecimento e o autocontrole. Mas ele se autoconhecer e não conseguir se controlar, não irá adiantar. Por isso, é fundamental o autocontrole. Autoconhecimento e autocontrole são dois fatores fundamentais para ter um bom desempenho e não fazer ‘gol contra’.

E o que fazer para desenvolver esse autoconhecimento, autocontrole?
O problema é que qualquer coisa que não seja o conteúdo do concurso é mal visto pelos candidatos. O estudante deve entender que não basta ter somente a disciplina que irá cair na prova, existe outra parte da preparação que será importante no momento da prova. O candidato deve cuidar da alimentação, ter uma boa qualidade de sono, fazer exercícios físicos. São várias atitudes que ele toma em paralelo aos estudos, mas que de forma alguma irá tirar o tempo de preparo dele, mas sim irá enriquecer esse tempo. É importante entender que existe uma diferença entre quantidade e qualidade.

Para estudar para concurso é necessário muita concentração, foco.
Claro, mas o estudante deve ter um momento de parar, relaxar a mente, porque se ele não fizer isso tudo, aquilo que estudou irá ficar perdido, em um momento crucial ele poderá não conseguir recuperar aquelas informações estudadas.

Por isso muitos candidatos passam horas estudando, mas muitas vezes não conseguem assimilar o conteúdo?
Sim, é uma sobrecarga de informação, o cérebro precisa de um momento para processar as informações. As grandes ideias surgem no que chamamos de ócio criativo, é quando a pessoa está relaxada. Mas é bom deixar claro que relaxamento não pode ser confundido com malandragem. O candidato deve dividir o tempo de estudo em blocos, não precisa estudar 12 horas seguidas, pode dividir essas horas durante o dia.

Quem passa em concurso não é quem estuda mais, e sim quem estuda melhor?
É quem estuda melhor, não é pela quantidade de horas que estudou, lógico que quanto mais você estuda, mas você apreende a informação, mas é como eu estou dizendo: é necessário ter pausas para que a pessoa melhore seu desempenho ali na frente.

De que forma a neurociência pode ajudar os concurseiros?
Ajudando essas pessoas a treinarem melhor para terem um desempenho melhor no cognitivo. Fazer treinamentos específicos para melhorar a competência delas no resultado do aprendizado.

Quais são os hábitos que grande parte dos candidatos desenvolvem durante a preparação, mas que prejudicam seus estudos?
Muitos. Passar a noite estudando, ele ignora que a privação do sono irá comprometer a capacidade de concentração e de atenção do dia seguinte. Outro erro muito comum é tomar medicamento sem recomendação médica, com o propósito de melhorar o desempenho de sua aprendizagem, mas com isso ele terá efeitos colaterais.

Que tipos de exercícios os concurseiros podem fazer para potencializar a memória, seu aprendizado intelectual e ter maior controle emocional para fazer provas de concursos?
São dois modelos de exercícios: atividades aeróbicas, pedalar, correr, pular, caminhar são importantes porque ajudam a melhorar a oxigenação no cérebro. Os outros exercícios são da ordem cognitiva, que vai envolver o aspecto raciocínio,exercícios para ajudar a manter a concentração, atenção.

Estabelecer um local adequado para os estudos é importante? Ele deve ser sempre o mesmo?
Muito importante. Deve se um local bem iluminado, se possível silencioso. O cérebro associa o ambiente com a tarefa que ele deve executar. Deve ser o mesmo local sempre, o cérebro sabe que quando o candidato sentar naquele lugar será para estudar.

E o que o candidato deve e pode fazer para ter um controle emocional maior na hora da prova?
Treinamento, primeiro ele deve saber que não existem candidatos para enfrentar, o resultado é ele quem estabelece, é nele que ele deve focar. E o concurseiro deve acreditar que por mais complicado que seja, não é impossível, portanto, ele também pode. Foco no objetivo.

Qual a melhor forma de turbinar o cérebro?
A melhor forma de turbinar o cérebro é colocá-lo em atividade. Em atividades em que se quebre a rotina. Além de uma boa alimentação, e a prática de atividade física.

O que os candidatos podem e devem fazer para evitarem o famoso branco na hora das provas?

É conter a ansiedade. Os altos níveis de ansiedade fazem com que os candidatos tenham esse branco. Por se sentir ameaçado na hora da prova, ele fica ansioso, o que altera o metabolismo do cérebro entre resgatar a informação ou equilibrar o metabolismo interno que está alterado. E a prioridade do organismo é estabilizar o metabolismo, já que a principal função do cérebro é nos manter vivos. O resgate da informação fica em segundo plano. Portanto, se o candidato for fazer a prova com tranquilidade, autoconfiança, sem ansiedade, o branco não irá aparecer.

O que o candidato deve fazer no dia que antecede a prova?
Relaxar. Porque todo o conteúdo que ele precisava, já teve ou deveria ter tido tempo para aprender. É se divertir com calma, sem exageros, não é ficar bêbado, ir para a bagunça, é fazer algo que dê prazer, pode até ser sexo, desde que você durma cedo, para fazer uma boa prova.

A reprovação faz parte da vida de quem faz concurso e pretende ingressar no serviço público. No entanto, como o candidato deve se comportar para que essa frustração não se torne um obstáculo na sua preparação e para a conquista futura de uma vaga?
É o que chamamos de desbloqueio de aprendizado, quando a pessoa teve uma experiência muito negativa, a referência é a anterior. O candidato vai para a prova contaminado com a experiência anterior e o resultado é o mesmo.Desmotivação não combina com prova, se ele for desmotivado, já está derrotado, decadente. Não pode ir fazer uma prova associado ao resultado anterior. Tem que mirar no futuro, no objetivo. Pensar lá na frente.

Qual a melhor forma de melhorar o aprendizado?
A melhor forma é se dedicando a ele, identificar como você consegue aprender. Praticar exercícios, muita gente foca só na teoria e esquece dos exercícios. Na hora da prova o candidato não consegue associar a teoria a prática. Já quem está habituado a resolver questões encontrará mais facilidade nessa hora.

Fonte: Folha Dirigida – 11/11/13

 

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